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O que passa pela sua cabeça quando você ouve falar em minimalismo? Na minha vinham duas coisas: aquele estilo de design em que é tudo clean, com poucos elementos, e também aquelas pessoas que, por decisão própria, vivem com absolutamente nada. E aí, esses tempos, veio um documentário (disponível no Netflix) para mudar tudo isso: Minimalism!

Para quem está buscando abrir a cabeça, recomendo fortemente que assista! É coisa de 1h e pouco, mas já tem elementos suficientes para fazer a gente pensar. Basicamente, o doc trata da turnê pelos Estados Unidos de dois caras que se intitulam The Minimalists – na tradução, Os Minimalistas. Eles perceberam há alguns anos que remover os excessos materiais aumenta a qualidade de vida.

E aí é que tudo se desenrolou: são 3 livros sobre o assunto lançados (já estou doida pra ler pelo menos um!)! Mas a grande questão é que os autores propõem um jeito super bacana de olhar a vida, nada radical (mesmo!). Se você olhar para eles, vai ver que nada têm a ver com aquela figura 100% desapegada e ermitã que a gente costuma conceber quando ouve falar de pessoas que vivem com pouco.

minimalismo

Minimalismo, ao que entendi, tem a ver com limpar os excessos materiais da vida, mas nem por isso deixar de comprar ou de ter conforto. É sobre conseguir elencar aquilo que é essencial para VOCÊ (e aqui coloco em caixa alta porque isso é pessoal e intransferível, não tem receita pronta!). É preciso se desfazer de tudo? NÃO. Tem que ter só dois pares de sapato? NÃO. Nunca mais pode comprar? NÃO.

A gente vive num modelo socioeconômico chamado capitalismo e é o dinheiro que move o mundo, certo? Sem entrar em questões ideológicas, é o que temos para hoje. Mas a gente precisa mesmo se render ao consumo sem freio pautado, muitas vezes, na ideia de felicidade que as coisas trazem? Até quando vamos ser simplesmente levados por tudo isso? A quem estamos servindo, afinal?

minimalismo

Acho que nossa concepção de mundo está super conectada a alguns valores bastante deturpados em função da tal roda do dinheiro – aquela velha história do ter versus ser! Só que não podemos esquecer de que quem rege nossa vida somos nós mesmos! Portanto, é tudo questão de escolha. E não precisa ser radical, como disse – para mim, equilíbrio é fundamental. Mesmo.

Talvez o lance do minimalismo – dentro dessa proposta dos The Minimalists – seja assustadora para você. Talvez não e você já esteja nesse caminho sem perceber (mesmo com algumas escorregadas aqui e ali, sinto que esse pensamento também é meu tem algum tempo). Mas o que importa é que a gente pare pra pensar e mude se quiser mudar: por nós e pelo mundo!

E quando digo por nós, não é só para gastarmos menos dinheiro com coisas muitas vezes desnecessárias, mas também para termos mais tempo pra cuidar do que realmente importa. Com menos, dá para se concentrar nas coisas mais fundamentais da vida – deixamos de ser escravos do trabalho excessivo que antes só servia para pagar por um padrão de vida que a gente mesmo se impôs!

E quando digo pelo mundo, me refiro aos excessos que vêm no pacote da produção em massa, como o desequilíbrio ambiental e as péssimas condições de trabalho. Se cada pessoa mudasse um pouquinho que fosse, talvez a gente pudesse equilibrar melhor o todo, né?

Minimalismo em vídeo

Aqui compartilho mais alguns insights relacionados ao assunto:

Nas minhas pesquisas, acabei encontrando uma moça que fala do tema com certa constância em seu canal do Youtube. É uma delícia assistir aos vídeos (infelizmente, eles vêm apenas em inglês, mas o ritmo dela é bem delicado e dá pra entender tudinho se você tiver um conhecimento de intermediário para avançado). Deixo aqui um dos que mais gostei:

Espero que você tenha gostado do post – me conta nos comentários como se sente em relação à questão!

PS: Recomendo também o canal dos Minimalists no Youtube – tem vários materiais complementares que mostram como colocar o minimalismo como um estilo de vida!

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descartável

Ontem foi um dia-chave para meu processo de quebra de paradigma a respeito do que possuo. Depois do vídeo sobre desapego (colocado no ar no post de sábado), decidi ainda mais fortemente fazer disso um mantra na minha vida. Então, resolvi me munir de mais informação, que nunca é demais.

Depois de muito tempo enrolando lindamente, coloquei o documentário True Cost no Netflix para assistir. E que tapa na cara. Para quem não sabe, ele mostra durante 1h30 os impactos socioambientais da desenfreada indústria da moda no mundo, em especial com o advento das fast fashions.

Chorei de desgosto com a humanidade. Juro. Por outro lado, tudo o que venho pensando a respeito do consumo consciente também ganhou força. Afinal de contas, enquanto a gente pensar que aquilo que compramos é feito para acabar só porque não queremos mais, vamos estar colaborando para essa roda.

Um exemplo dado no documentário: você sabia que apenas 10% das roupas doadas para a caridade nos Estados Unidos são de fato vendidas em brechós – e, por consequência, reaproveitadas por alguém? E sabia que uma parcela significativa do restante vai para países como o Haiti, que teve sua indústria têxtil quebrada por conta do envio massivo de peças para lá? Ou seja, tem vezes que pensamos estar ajudando, quando, na verdade, estamos mais é atrapalhando. Fora a quantidade absurda de lixo têxtil, que demora cerca de 200 anos (!) para se degradar na natureza. Consumir menos e melhor é um imperativo hoje!

Lembrei das vezes em que adquiri uma coisa por impulso, sem a menor necessidade prática ou sem ao menos saber como iria usar. Mas também me recordei de peças que tenho no armário há muitos anos, que foram modificadas de acordo com o vai-e-vem do meu corpo e até mesmo recuperadas de estragos pontuais – a costureira sempre foi minha parceira para ajustes e consertos.

Por coincidência, uma amiga veio me visitar aqui em casa ontem, logo depois desse turbilhão de pensamentos. Ela acaba de conseguir um trabalho que requer certa vestimenta, mas sabe que não dá para sair por aí comprando o mundo em função dessa nova posição.

Me veio um estalo e a chamei para o quarto que faço de closet: lá, uma série de peças que mantenho com carinho na esperança de usar novamente (o que não é impossível, afinal, não estou hoje com o meu corpo habitual). Mostrei para ela e pedi para que experimentasse. Adivinhe: tudo serviu lindamente!

Assim, fiz uma coisa que o apego jamais me permitiria realizar: emprestei tudo o que ela quis por tempo indeterminado. E fiquei tão feliz quanto se tivesse sido ao contrário, se tivéssemos trocado de papel (quem é que não gosta de receber roupas bonitas assim, do nada?). <3

Meu coração se encheu de amor e minha cabeça só conseguia pensar: “por que não fiz isso antes?”. Veja, desapego pode ser também compartilhamento. Afinal, aquilo que temos não pode e não deve ser considerado descartável a ponto de querermos simplesmente nos livrar.

A ótica muda quando a roupa está em constante movimento – seja comigo, seja com ela, seja comigo novamente. Já parou para pensar nisso? Que tal experimentar também? Se para cada vez que alguém precisa de algo a gente pode suprir (e vice-versa), imagina só o tanto de compra que pode ser poupada!

E, assim, passamos a nos conscientizar de maneira a ajudar o todo, com menos apego, sim, mas também com menos descarte. Pense nisso! Uma excelente semana para você.

Imagem: Shutterstock

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Já que meu último post – que foi, justamente, sobre minha relação com consumo e dinheiro – rendeu pra caramba (li todos os comentários e em breve responderei individualmente), achei que seria bacana adentrar um lado sobre o qual não abordei inteiramente por lá: o comprar!

Mas, antes, um comentário geral: vi que algumas de vocês disseram que não vale a pena deixar o dinheiro na poupança e que existem outras formas mais vantajosas de investimento. E estão todas certíssimas! Essa é uma tecla em que meu pai sempre bate. Preciso MESMO cuidar disso com mais carinho em vez de jogar passivamente a grana lá. Obrigada!

comprar

Voltando! Como disse até mesmo naquele texto, quando comecei a trabalhar como jornalista dei uma piradinha porque queria ter logo mil coisas que não podia comprar tão facilmente antes. Normal, né? A sorte foi que, logo depois, minha veia econômica me segurou novamente e a mania acabou.

Mas não posso dizer que nunca mais tive fases de gastadeira depois disso. Seria uma grande mentira! Me lembro muito bem que, depois do término do meu primeiro namoro, vivi por um tempo uma vida de patricinha (atenção: com meu próprio dinheiro). Ia ao shopping todo fim de semana para fazer as unhas – e aí já viram, né, acabava sempre saindo com uma ~inocente sacolinha, geralmente de roupa. Também amava ir pra balada e confesso que bebia sem muita dó de gastar.

Enfim. Tava tudo muito bom, tudo muito bem, até que eu percebi que meu dinheiro estava indo pra um ralo de felicidades efêmeras, muito menos importantes do que as minhas reais necessidades. Por exemplo: naquela época, pegava ônibus para ir e voltar do trabalho e chegou um ponto em que estava emocionalmente cansada do processo todo (assédios, muvuca, medo de assaltos).

Resolvi colocar na ponta do lápis o quanto gastava nas minhas besteirinhas cotidianas (que incluíam pagar do meu bolso o excedente ao vale alimentação da empresa em restaurantes melhores). Fiquei muito assustada! Foi então que cortei boa parte da palhaçada. Se não fosse por isso, minha poupança ficaria zerada ao comprar um carro à vista (porque eu realmente odeio financiamentos de qualquer tipo)  – e não foi o que aconteceu! Demorou, claro, mas foi assim.

Essa historinha toda reforça aquilo que disse no outro post sobre saber o motivo pelo qual a gente está poupando – e perceber quais são os pequenos ralos de dinheiro que insistimos em manter no dia a dia! Os meus eram coisas bem prazerosas, mas, colocando na balança, ter meu próprio carro deu um up tão grande na minha qualidade de vida que valeu o esforço.

Hoje, mais madura conforme os anos passam, vejo que minha relação com o consumo está bem melhor. Eu juro para vocês que houve uma época em que o shopping era minha segunda casa! Nossa, conto nos dedos as vezes em que fui a um no ano passado, por exemplo. Isso já não é mais uma opção tentadora de passeio pra mim – quando vou, é para comprar algo específico e sobre o qual já pensei a respeito.

comprar

Devo dizer para vocês que meu ponto alto de brochar em comprar foi durante minha viagem aos Estados Unidos, no início de 2016. UÉ, THAIS, MAS COMO ASSIM? LÁ É O PARAÍSO DO CONSUMO! Por isso mesmo. Fui com uma companheira de viagem tão boa (beijo, Mari!) que minha visão mudou completamente. Ela praticamente não gastou em nada – e eu comecei a ver que também não precisava levar a Flórida inteira na mala. Foquei nos presentes para quem amo e, para mim mesma, trouxe só o que julguei valer a pena em termos de preço, necessidade ou lembrança mesmo.

Tem uma coisa nos EUA que é muito visível: o apelo ao consumo. Parece que tudo é voltado pra isso! E, pela primeira vez na vida, aquilo me incomodou. Aqui no Brasil, vejo que nossos padrões são muito voltados ao modelo norte-americano: é a cultura do ter, da ostentação, da casa sem esgoto mas do carro do ano na garagem (ok, exagerei forte nessa, mas vocês entenderam). E como tudo isso mexe com a cabeça da gente – mesmo das pessoas mais tranquilas/controladas!

De alguma forma que não sei explicar (já numa crescente de desapego das compras), comprar por comprar deixou de ser prazeroso para mim (com uma exceção importante que explico abaixo). Vejo atualmente que a compra precisa ter um propósito claro e caber dentro do orçamento. Como até falei antes, fazia parcelamentos (alô, cartão Renner!) quando era bem novinha e realmente tinha pouco dinheiro. Hoje, procuro ao máximo pagar as coisas à vista e usar o poder de barganha que isso traz.

Uma exceção expressiva – e recente – foi minha viagem à Dublin. Acho que lá perdi o controle da situação por um motivo claro e específico: aquelas mini tristezinhas momentâneas que a gente passa quando mora num país diferente. Toda vez que estava com saudade da família, o clima estava adverso pra fazer algum passeio legal (e isso aconteceu bastante, hahahaha) ou ficava sem companhia, ia passear nas lojas e sempre saía com alguma coisinha.

Isso é pra vocês verem que, por mais madura que a gente seja em relação ao dinheiro (e, de coração, me sinto muito melhor hoje do que há alguns anos), as tentações para eventuais escorregadas estão sempre por aí. Mas o importante em tudo isso é manter a cabeça no lugar e seguir em frente! Lembrem-se sempre: dinheiro é bom e serve para ser gasto, mas com sabedoria e vigilância!

Voltamos à programação off dinheiro amanhã, ok? hahahahaha

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