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descartável

Ontem foi um dia-chave para meu processo de quebra de paradigma a respeito do que possuo. Depois do vídeo sobre desapego (colocado no ar no post de sábado), decidi ainda mais fortemente fazer disso um mantra na minha vida. Então, resolvi me munir de mais informação, que nunca é demais.

Depois de muito tempo enrolando lindamente, coloquei o documentário True Cost no Netflix para assistir. E que tapa na cara. Para quem não sabe, ele mostra durante 1h30 os impactos socioambientais da desenfreada indústria da moda no mundo, em especial com o advento das fast fashions.

Chorei de desgosto com a humanidade. Juro. Por outro lado, tudo o que venho pensando a respeito do consumo consciente também ganhou força. Afinal de contas, enquanto a gente pensar que aquilo que compramos é feito para acabar só porque não queremos mais, vamos estar colaborando para essa roda.

Um exemplo dado no documentário: você sabia que apenas 10% das roupas doadas para a caridade nos Estados Unidos são de fato vendidas em brechós – e, por consequência, reaproveitadas por alguém? E sabia que uma parcela significativa do restante vai para países como o Haiti, que teve sua indústria têxtil quebrada por conta do envio massivo de peças para lá? Ou seja, tem vezes que pensamos estar ajudando, quando, na verdade, estamos mais é atrapalhando. Fora a quantidade absurda de lixo têxtil, que demora cerca de 200 anos (!) para se degradar na natureza. Consumir menos e melhor é um imperativo hoje!

Lembrei das vezes em que adquiri uma coisa por impulso, sem a menor necessidade prática ou sem ao menos saber como iria usar. Mas também me recordei de peças que tenho no armário há muitos anos, que foram modificadas de acordo com o vai-e-vem do meu corpo e até mesmo recuperadas de estragos pontuais – a costureira sempre foi minha parceira para ajustes e consertos.

Por coincidência, uma amiga veio me visitar aqui em casa ontem, logo depois desse turbilhão de pensamentos. Ela acaba de conseguir um trabalho que requer certa vestimenta, mas sabe que não dá para sair por aí comprando o mundo em função dessa nova posição.

Me veio um estalo e a chamei para o quarto que faço de closet: lá, uma série de peças que mantenho com carinho na esperança de usar novamente (o que não é impossível, afinal, não estou hoje com o meu corpo habitual). Mostrei para ela e pedi para que experimentasse. Adivinhe: tudo serviu lindamente!

Assim, fiz uma coisa que o apego jamais me permitiria realizar: emprestei tudo o que ela quis por tempo indeterminado. E fiquei tão feliz quanto se tivesse sido ao contrário, se tivéssemos trocado de papel (quem é que não gosta de receber roupas bonitas assim, do nada?). <3

Meu coração se encheu de amor e minha cabeça só conseguia pensar: “por que não fiz isso antes?”. Veja, desapego pode ser também compartilhamento. Afinal, aquilo que temos não pode e não deve ser considerado descartável a ponto de querermos simplesmente nos livrar.

A ótica muda quando a roupa está em constante movimento – seja comigo, seja com ela, seja comigo novamente. Já parou para pensar nisso? Que tal experimentar também? Se para cada vez que alguém precisa de algo a gente pode suprir (e vice-versa), imagina só o tanto de compra que pode ser poupada!

E, assim, passamos a nos conscientizar de maneira a ajudar o todo, com menos apego, sim, mas também com menos descarte. Pense nisso! Uma excelente semana para você.

Imagem: Shutterstock

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Já que meu último post – que foi, justamente, sobre minha relação com consumo e dinheiro – rendeu pra caramba (li todos os comentários e em breve responderei individualmente), achei que seria bacana adentrar um lado sobre o qual não abordei inteiramente por lá: o comprar!

Mas, antes, um comentário geral: vi que algumas de vocês disseram que não vale a pena deixar o dinheiro na poupança e que existem outras formas mais vantajosas de investimento. E estão todas certíssimas! Essa é uma tecla em que meu pai sempre bate. Preciso MESMO cuidar disso com mais carinho em vez de jogar passivamente a grana lá. Obrigada!

comprar

Voltando! Como disse até mesmo naquele texto, quando comecei a trabalhar como jornalista dei uma piradinha porque queria ter logo mil coisas que não podia comprar tão facilmente antes. Normal, né? A sorte foi que, logo depois, minha veia econômica me segurou novamente e a mania acabou.

Mas não posso dizer que nunca mais tive fases de gastadeira depois disso. Seria uma grande mentira! Me lembro muito bem que, depois do término do meu primeiro namoro, vivi por um tempo uma vida de patricinha (atenção: com meu próprio dinheiro). Ia ao shopping todo fim de semana para fazer as unhas – e aí já viram, né, acabava sempre saindo com uma ~inocente sacolinha, geralmente de roupa. Também amava ir pra balada e confesso que bebia sem muita dó de gastar.

Enfim. Tava tudo muito bom, tudo muito bem, até que eu percebi que meu dinheiro estava indo pra um ralo de felicidades efêmeras, muito menos importantes do que as minhas reais necessidades. Por exemplo: naquela época, pegava ônibus para ir e voltar do trabalho e chegou um ponto em que estava emocionalmente cansada do processo todo (assédios, muvuca, medo de assaltos).

Resolvi colocar na ponta do lápis o quanto gastava nas minhas besteirinhas cotidianas (que incluíam pagar do meu bolso o excedente ao vale alimentação da empresa em restaurantes melhores). Fiquei muito assustada! Foi então que cortei boa parte da palhaçada. Se não fosse por isso, minha poupança ficaria zerada ao comprar um carro à vista (porque eu realmente odeio financiamentos de qualquer tipo)  – e não foi o que aconteceu! Demorou, claro, mas foi assim.

Essa historinha toda reforça aquilo que disse no outro post sobre saber o motivo pelo qual a gente está poupando – e perceber quais são os pequenos ralos de dinheiro que insistimos em manter no dia a dia! Os meus eram coisas bem prazerosas, mas, colocando na balança, ter meu próprio carro deu um up tão grande na minha qualidade de vida que valeu o esforço.

Hoje, mais madura conforme os anos passam, vejo que minha relação com o consumo está bem melhor. Eu juro para vocês que houve uma época em que o shopping era minha segunda casa! Nossa, conto nos dedos as vezes em que fui a um no ano passado, por exemplo. Isso já não é mais uma opção tentadora de passeio pra mim – quando vou, é para comprar algo específico e sobre o qual já pensei a respeito.

comprar

Devo dizer para vocês que meu ponto alto de brochar em comprar foi durante minha viagem aos Estados Unidos, no início de 2016. UÉ, THAIS, MAS COMO ASSIM? LÁ É O PARAÍSO DO CONSUMO! Por isso mesmo. Fui com uma companheira de viagem tão boa (beijo, Mari!) que minha visão mudou completamente. Ela praticamente não gastou em nada – e eu comecei a ver que também não precisava levar a Flórida inteira na mala. Foquei nos presentes para quem amo e, para mim mesma, trouxe só o que julguei valer a pena em termos de preço, necessidade ou lembrança mesmo.

Tem uma coisa nos EUA que é muito visível: o apelo ao consumo. Parece que tudo é voltado pra isso! E, pela primeira vez na vida, aquilo me incomodou. Aqui no Brasil, vejo que nossos padrões são muito voltados ao modelo norte-americano: é a cultura do ter, da ostentação, da casa sem esgoto mas do carro do ano na garagem (ok, exagerei forte nessa, mas vocês entenderam). E como tudo isso mexe com a cabeça da gente – mesmo das pessoas mais tranquilas/controladas!

De alguma forma que não sei explicar (já numa crescente de desapego das compras), comprar por comprar deixou de ser prazeroso para mim (com uma exceção importante que explico abaixo). Vejo atualmente que a compra precisa ter um propósito claro e caber dentro do orçamento. Como até falei antes, fazia parcelamentos (alô, cartão Renner!) quando era bem novinha e realmente tinha pouco dinheiro. Hoje, procuro ao máximo pagar as coisas à vista e usar o poder de barganha que isso traz.

Uma exceção expressiva – e recente – foi minha viagem à Dublin. Acho que lá perdi o controle da situação por um motivo claro e específico: aquelas mini tristezinhas momentâneas que a gente passa quando mora num país diferente. Toda vez que estava com saudade da família, o clima estava adverso pra fazer algum passeio legal (e isso aconteceu bastante, hahahaha) ou ficava sem companhia, ia passear nas lojas e sempre saía com alguma coisinha.

Isso é pra vocês verem que, por mais madura que a gente seja em relação ao dinheiro (e, de coração, me sinto muito melhor hoje do que há alguns anos), as tentações para eventuais escorregadas estão sempre por aí. Mas o importante em tudo isso é manter a cabeça no lugar e seguir em frente! Lembrem-se sempre: dinheiro é bom e serve para ser gasto, mas com sabedoria e vigilância!

Voltamos à programação off dinheiro amanhã, ok? hahahahaha

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É, minha gente, a crise anda pegando todo mundo. Se antes até dava pra ir ao shopping, se apaixonar por algo e levar, agora o cuidado é bem maior. Afinal de contas, nosso dinheirinho anda valendo menos! Além disso, tenho pensado muito na questão de que comprar não é esporte. É consciência!

Uma das minhas maiores tentações sempre foram as fast fashions. Gosto da possibilidade de encontrar uma peça que está chamando a minha atenção por um preço um pouco mais amigo do bolso. Mas já tem um tempo que procuro fazer compras realmente inteligentes nesse tipo de loja. Confiram agora algumas dicas!

fast fashions

#1 Ter olho clínico

Não tem segredo: se uma roupa é vendida a valores inferiores na comparação com outras lojas, é porque teve fabricação em larga escala e foram utilizados atalhos que diminuem o custo de produção*. Portanto, olho clínico! Não dá para esperar qualidade impecável, mas criar o costume de ler as etiquetas é uma boa saída. Procurem por bons materiais, com menor porcentagem de fibra sintética. Outra dica é sempre virar as peças do avesso para ver como estão os acabamentos. Costuras malfeitas ou botões presos displicentemente podem dar dor de cabeça depois.

*Nos últimos anos, pipocaram denúncias de desrespeito trabalhista em diversos países onde as grandes redes de fast fashion terceirizam suas produções. Acredito que o papel de alguém que queira consumir de forma consciente seja estar por dentro de quais são essas empresas e o que elas estão de fato fazendo para transformar tal realidade – se estiverem! Gostaria de viver num mundo em que as coisas que gostamos estivessem disponíveis por um preço justo e com qualidade, mas nós sabemos que não é sempre assim. Entrar no jogo é uma escolha pessoal; buscar alternativas também. Não vou ser hipócrita de dizer que eu nunca compro em fast fashions, ainda mais fazendo um post ensinando como comprar melhor nelas! Pessoalmente, acredito em gerenciar o consumo como forma de resposta. Não compro fervorosamente como um dia posso ter feito, mas também não deixo de comprar quando aquilo vale a pena para mim. Talvez um dia eu mude e passe a rechaçar esse tipo de loja? Talvez. Mas me sinto um pouco melhor em não ser a consumidora que as grandes redes esperam. Estou no meu caminho – e cada uma tem o seu!

#2 Experimentar, sempre

Essa é uma tecla em que não canso de bater. Todas as lojas possuem sistema de numeração, mas fato é que a modelagem varia bastante entre uma marca e outra – às vezes, de peça para peça, inclusive! É uma realidade chata, que poderia mudar, mas há um jeito de contornar enquanto isso não acontece: experimentando sempre! A gente não pode ter preguiça de provar, pois é em frente ao espelho que vamos entender o comportamento da roupa no nosso corpo. Eu sento, levanto, mexo os braços, caminho… Porque, no fim das contas, é preciso ficar, além de bonita, confortável! Ah, e nada de se fixarem num tamanho! O importante é que a peça vista o corpo como deve ser. Ninguém sai com a etiqueta de numeração pendurada depois, né? Vamos desencanar disso, mulherada!

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#3 Lembrar do que se tem em casa

De que adianta comprar aquela roupa super legal se a gente não faz ideia dos complementos que vamos usar com ela? Então, antes de passar no caixa, é bom parar e pensar de antemão com o que vai ser possível combinar as novas aquisições. Consumir de forma consciente é também entender que tudo deve estar conectado! Além disso, é preciso ter em mente que, para sermos únicas, temos que aprender a criar nossas próprias misturas. Do contrário, vamos todas parecer o manequim da loja em versão ambulante! E que isso graça teria, não é mesmo?

#4 Avaliar custo/benefício

Sabemos bem que as fast fashions trazem peças com preços um pouco melhores (digo “um pouco” porque muitas têm encarecido constantemente, né!). Mas às vezes o barato sai caro! Se ignorarmos os três passos anteriores, possivelmente sairemos no prejuízo. Roupas que estragam com facilidade, não servem perfeitamente e requerem novas compras para serem usadas não valem o investimento pois as chances de usá-las diminuirão drasticamente. Então, o negócio é ficarmos atentas e pensarmos bem antes de comprar. Adquirir por impulso pode ser prejudicial à conta bancária e, além de tudo, vai resultar em muito acúmulo no armário. Para quê, se podemos viver com menos?

Pode ser que tenha falado o óbvio para algumas de vocês, mas ao mesmo tempo acredito que, de alguma maneira, esse post possa ter aberto novas cabeças sobre o assunto!

Fotos: Shutterstock

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