Coisas de Diva Coisas de Diva Coisas de Diva

1. Quando eu era criança eu achava que, quando fosse adolescente, seria alta e jogadora de basquete (tenho 1,56 m e não consigo me lembrar de já ter feito uma cesta na vida).

2. Achava também que eu seria obrigada a deixar de gostar de Nescau para gostar de café, afinal era o que os adultos bebiam (hoje de fato adoro café, mas jamais deixei de gostar de Nescau haha).

3. Um tempo depois, quando notei que não seria alta, eu mesmo assim achava que “deveria” ser e passei a adolescência e os 20 e poucos anos usando muito salto alto, mesmo para ir para faculdade, pegar ônibus, etc. 

4. Quando era criança, achava que aos 30 já teria me casado e teria filhos (acho que todo mundo, né?), quando era adolescente, tinha pavor de pensar em me casar e hoje, quando de fato tenho 30, acho que até gostaria de casar, mas tenho a impressão de que não vou. E tá ok também.

5. Quando passei a ganhar meu próprio dinheiro, achava que tinha que seguir os guias de revistas femininas sobre as peças que eu tinha que ter, tipo calças sociais, sapatos de bico fino, blazers, colares de pérolas, vestidos na altura dos joelhos. 

6. Logo que entrei na faculdade e completei 18 anos, eu ia muito pouco a festas e praticamente não saía à noite porque me sentia meio inadequada, achava que precisava ter um guarda-roupas específico com “roupas para sair à noite”, que incluísse coisas tipo paetês e escarpins de bico fino (não tenho nada contra, só não faz o meu estilo haha). 

7. Gastei meu dinheiro com peças dos itens aqui em cima – coisas que não tinham nada a ver comigo e que mal usei. Achava que elas me trariam esse sentimento de ‘pertencimento’ e adequação. Sendo que a época da minha vida que eu mais me senti adequada com minha escolha de roupas e afins é justamente agora, que acho que é a época que tenho MENOS coisas, mas mais coisas que eu gosto.

8. Desde que nasci fico vermelha com muita facilidade – é a soma de muita timidez com pele naturalmente rosada. Achava que isso era tipo uma condição estranha que passaria quando eu crescesse (a gente sempre acha que as coisas ficarão misteriosamente muito melhores no futuro né? hahaha), mas a realidade é que continuo igualzinha. E continuo detestando, mas é aquele ditado

9. Achava também que eu precisava usar maquiagem bem carregada – tipo olho esfumado com muita sombra preta, por exemplo. Aí me arrumava e, depois de meia hora na festa me olhava no espelho e detestava, não me reconhecia. 

10. Antes de trabalhar, trabalhar parecia sempre uma coisa mágica – é só fazer alguma coisa e no final do mês tem muito dinheiro para comprar tudo, roupas, apartamentos, chocolate, bebidas, viagens. A realidade a gente (não só eu) sabe muito bem como é, né?  


(Esse foi mais um post meio diferentinho, tipo essa lista aqui que fiz há algumas semanas, lembram? 

Esse de hoje é só para lembrar que às vezes a gente demora para encontrar nosso lugar no mundo, e muitas das nossas frustrações têm a ver com expectativas que a gente tinha sobre as coisas mas que nunca adequamos à nossa realidade. Mas é importante saber que a gente não tem que se sentir inadequado, nunca, pelo contrário: temos que encontrar formas de viver bem conosco mesmos, temos que aceitar o que não dá para mudar e mudar, sim, o que nos incomoda. E pode ser qualquer coisa, até a coisa mais simples do mundo. 

Está tudo bem não ser quem achávamos que seriamos – são os desvios do caminho nos fazem ser quem somos também.) 

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