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Já que meu último post – que foi, justamente, sobre minha relação com consumo e dinheiro – rendeu pra caramba (li todos os comentários e em breve responderei individualmente), achei que seria bacana adentrar um lado sobre o qual não abordei inteiramente por lá: o comprar!

Mas, antes, um comentário geral: vi que algumas de vocês disseram que não vale a pena deixar o dinheiro na poupança e que existem outras formas mais vantajosas de investimento. E estão todas certíssimas! Essa é uma tecla em que meu pai sempre bate. Preciso MESMO cuidar disso com mais carinho em vez de jogar passivamente a grana lá. Obrigada!

comprar

Voltando! Como disse até mesmo naquele texto, quando comecei a trabalhar como jornalista dei uma piradinha porque queria ter logo mil coisas que não podia comprar tão facilmente antes. Normal, né? A sorte foi que, logo depois, minha veia econômica me segurou novamente e a mania acabou.

Mas não posso dizer que nunca mais tive fases de gastadeira depois disso. Seria uma grande mentira! Me lembro muito bem que, depois do término do meu primeiro namoro, vivi por um tempo uma vida de patricinha (atenção: com meu próprio dinheiro). Ia ao shopping todo fim de semana para fazer as unhas – e aí já viram, né, acabava sempre saindo com uma ~inocente sacolinha, geralmente de roupa. Também amava ir pra balada e confesso que bebia sem muita dó de gastar.

Enfim. Tava tudo muito bom, tudo muito bem, até que eu percebi que meu dinheiro estava indo pra um ralo de felicidades efêmeras, muito menos importantes do que as minhas reais necessidades. Por exemplo: naquela época, pegava ônibus para ir e voltar do trabalho e chegou um ponto em que estava emocionalmente cansada do processo todo (assédios, muvuca, medo de assaltos).

Resolvi colocar na ponta do lápis o quanto gastava nas minhas besteirinhas cotidianas (que incluíam pagar do meu bolso o excedente ao vale alimentação da empresa em restaurantes melhores). Fiquei muito assustada! Foi então que cortei boa parte da palhaçada. Se não fosse por isso, minha poupança ficaria zerada ao comprar um carro à vista (porque eu realmente odeio financiamentos de qualquer tipo)  – e não foi o que aconteceu! Demorou, claro, mas foi assim.

Essa historinha toda reforça aquilo que disse no outro post sobre saber o motivo pelo qual a gente está poupando – e perceber quais são os pequenos ralos de dinheiro que insistimos em manter no dia a dia! Os meus eram coisas bem prazerosas, mas, colocando na balança, ter meu próprio carro deu um up tão grande na minha qualidade de vida que valeu o esforço.

Hoje, mais madura conforme os anos passam, vejo que minha relação com o consumo está bem melhor. Eu juro para vocês que houve uma época em que o shopping era minha segunda casa! Nossa, conto nos dedos as vezes em que fui a um no ano passado, por exemplo. Isso já não é mais uma opção tentadora de passeio pra mim – quando vou, é para comprar algo específico e sobre o qual já pensei a respeito.

comprar

Devo dizer para vocês que meu ponto alto de brochar em comprar foi durante minha viagem aos Estados Unidos, no início de 2016. UÉ, THAIS, MAS COMO ASSIM? LÁ É O PARAÍSO DO CONSUMO! Por isso mesmo. Fui com uma companheira de viagem tão boa (beijo, Mari!) que minha visão mudou completamente. Ela praticamente não gastou em nada – e eu comecei a ver que também não precisava levar a Flórida inteira na mala. Foquei nos presentes para quem amo e, para mim mesma, trouxe só o que julguei valer a pena em termos de preço, necessidade ou lembrança mesmo.

Tem uma coisa nos EUA que é muito visível: o apelo ao consumo. Parece que tudo é voltado pra isso! E, pela primeira vez na vida, aquilo me incomodou. Aqui no Brasil, vejo que nossos padrões são muito voltados ao modelo norte-americano: é a cultura do ter, da ostentação, da casa sem esgoto mas do carro do ano na garagem (ok, exagerei forte nessa, mas vocês entenderam). E como tudo isso mexe com a cabeça da gente – mesmo das pessoas mais tranquilas/controladas!

De alguma forma que não sei explicar (já numa crescente de desapego das compras), comprar por comprar deixou de ser prazeroso para mim (com uma exceção importante que explico abaixo). Vejo atualmente que a compra precisa ter um propósito claro e caber dentro do orçamento. Como até falei antes, fazia parcelamentos (alô, cartão Renner!) quando era bem novinha e realmente tinha pouco dinheiro. Hoje, procuro ao máximo pagar as coisas à vista e usar o poder de barganha que isso traz.

Uma exceção expressiva – e recente – foi minha viagem à Dublin. Acho que lá perdi o controle da situação por um motivo claro e específico: aquelas mini tristezinhas momentâneas que a gente passa quando mora num país diferente. Toda vez que estava com saudade da família, o clima estava adverso pra fazer algum passeio legal (e isso aconteceu bastante, hahahaha) ou ficava sem companhia, ia passear nas lojas e sempre saía com alguma coisinha.

Isso é pra vocês verem que, por mais madura que a gente seja em relação ao dinheiro (e, de coração, me sinto muito melhor hoje do que há alguns anos), as tentações para eventuais escorregadas estão sempre por aí. Mas o importante em tudo isso é manter a cabeça no lugar e seguir em frente! Lembrem-se sempre: dinheiro é bom e serve para ser gasto, mas com sabedoria e vigilância!

Voltamos à programação off dinheiro amanhã, ok? hahahahaha

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O que nossas divas já nos disseram
  1. Ana

    Programação de dinheiro SEMPRE!

  2. eu estou na fase de comprar so o necessario, minhas compras estao todas bem pensadas
    beijos lndona

  3. Carolina

    Com certeza é nas compras tentadoras onde está o meu erro!! Estou me conscientizando disto e já quero reduzir isto. Obrigada mais uma vez pelo texto maravilhoso !!!

  4. Carina

    Tenho fases assim, principalmente quando me sinto vazia, parece que tento preencher com coisas. Ano passado, muito do meu cartão de crédito foi para coisas supérfluas, e não gostei do que vi nas faturas.
    Me impus um objetivo e estou trabalhando nele.
    Vamos ver no que dá!

    Mas viu, sou a favor de um post sobre como investir melhor o dinheiro!
    Gostei dos comentários no post anterior. Eu sou uma pata pra isso, não sei nada, só sei da poupança. Não saberia pra onde ir, como dá pra eu investir melhor, o que fazer. Dicas seriam muito bem vindas! 😉

  5. Muito legal a gente perceber esse amadurecimento, né? eu felizmente nunca fui consumista, mas se antes o único mérito que eu enxergava era a poupança do dinheiro, hoje minha forma de lidar com o consumo vai muito além disso.
    Tempos atrás eu estava conversando com um primo que vive há anos nos EUA, e então entramos nesse assunto. O argumento (justificativa/desculpa) dele a favor do consumo era o mais superficial possível: se você não consumir, as pessoas não vão estar empregadas. Meu argumento era: se a sociedade fosse menos consumista, o cara que está empregado graças ao seu consumo também precisaria de menos para se sentir realizado, então talvez ele pudesse até buscar outra forma de trabalho.
    É uma mudança de paradigma mesmo, que ele claramente não entendeu porque é de fato difícil sair da bolha do gado em que nos envolvemos.
    Sem falar outras várias questões ainda mais importantes: sustentabilidade, abismo entre ricos e pobres, a violência que é estimulada numa sociedade em que o material adquire tanto valor…
    É preciso repensarmos nossa relação com as coisas.
    = )

  6. Olá Thais,
    adoro ler suas reflexões, parabéns!! Também vivia “duraça”, mesmo após a conclusão da graduação. Meu primeiro emprego não pagava tão bem, porque não havia tempo de experiência e pós-graduação. Também tive meu momento de desgaste emocional com transporte coletivo. Graças a Deus, com disciplina e educação financeira, em menos de dois anos de trabalho, consegui juntar dindin para comprar meu primeiro carro à vista. Foi um dinheiro bem investido, não apenas pelo conforto, mas também pela necessidade, segurança e praticidade. No DF, tudo é distante, poucas linhas de ônibus e, ainda, “sucateada”, à época. Hoje melhorou um pouco, mas não foi fácil. Beijos.

  7. Fernanda de Oliveira

    Obirgada pelo post. Sucesso!

  8. Ana Carolina Cavalcante Correia

    Adorei o post! Estou adorando essa sua vibe de reflexiva sobre diversos assuntos.

    Com relação ao dinheiro, meu sonho de vida é tbm como todo brasileiro ter a casa própria, mas parei e refleti que não estava fazendo nada para que isso acontecesse. Não ganho muito, mas já vi gente que ganha menos que eu e conseguiu juntar seu dinheirinho para comprar a tão sonhada casa entre outras coisas.

    A primeira coisa que fiz foi para de comprar por comprar… não podia ver algo resenhado aqui no blog que queria comprar… kkkkkkkkkk… gente , eu não preciso ter 6 bases pro rosto… nem 50 cores de batom…kkkk

    Comecei a ganhar comissão no meu trabalho e meu primeiro pensamento foi q o salario era pra pagar as contas e a comissão para os meus luxos!!!

    Parei com isso também…. comissão agora vai direto pra poupança .. sei que a outras formas mais inteligentes de juntar dinheiro como já foi dito aqui. mas a poupança no momento está sendo a melhor para mim.

  9. Myrian

    Confesso que sou muito consumista. Só que, cheguei a um momento da vida em que não preciso de nada. Tenho tudo. Então, quando fico tentada a comprar alguma coisa, penso, eu preciso? Geralmente a resposta é não. É algo que já tenho e, realmente, não preciso de outro. Então, estou agora focando em usar até o fim tudo o que já tenho e só comprar quando realmente estiver precisando. A gente tem que se perguntar na hora da compra o porque de estar comprando aquilo. Aí a gente torna o nosso consumo mais consciente.

  10. Silvana Aparecida da Silva

    Thais, gosto muito de textos assim mais pessoais… e se for de finanças, melhor ainda…
    Não pare, não… é sempre bom aprender sobre este assunto.
    Beijos!

  11. Márcia Daniella

    Amei sua reflexão. A questão de comprar demais se torna ainda mais complicada quando vira vício. Sei bem disso porque já aconteceu comigo. E no meu caso era pior porque nem precisava sair de casa pra isso. Meu vício era comprar online. Não digo que já estou completamente curada, mas entendi que estava desperdiçando dinheiro com coisas que acabava não usando na verdade.

  12. Mírian Lima

    Oi Thais! Estou c/ 26 anos e tô numa fase q não estou conseguindo controlar tão bem meus gastos, pois estou morando sozinha a pouco tempo e mobiliando a casa ainda (sou a louca da decoração e tudo que vejo eu quero p/ casa kkkkk). Mas seu texto me fez voltar a repensar justamente os gastos invisíveis (comida fora todo dia, um lanchinho aqui, um docinho ali) q viram um rombo no fim do mês. Além disso sou viciada em cosméticos (batom principalmente ) e não posso ver uma novidade que já quetô testar. Seu texto foi uma ótima “acordada” e que veio na hora certa já que o ano está apenas começando e ainda dá muito tempo p/ poupar e organizar os gastos. Bj

  13. Ah, editoras… Cadê vocês que ainda não convidaram a Thais para escrever um livro? Eu seria a leitora número 1, fazendo fila na entrada da Fnac!
    ADORO OS TEUS POSTS, sempre tão claros, incentivadores e que vão direto ao ponto.
    Beijo!

  14. Eu adoro fazer compras, mesmo se não preciso de nada, invento……rsrsrsrsr

  15. Monica

    Oii Thais, sair comprando eh MARA…mas eu costumo me perguntar se preciso realmente daquilo e geralmente a resposta eh não!
    a satisfação quando vc vê suas economias crescerem no banco ou quando vc pensa na sua “melhor idade” “garantida” pela previdência privada que vc paga todo mes, compensa, na minha opinião, as compras enlouquecidas que fizemos as vezes…
    parabéns pelos textos…sempre uma leitura prazerosa!
    um beijo

  16. Michele

    O grande desafio para mim é escolher com o que gastar, identificar o que de fato é importante para minha vida e daqueles que amo.
    Também não quero pensar só no amanhã ( que a gente nem sabe se terá), assim como também não quero ser imediatista, quero na verdade encontrar meu ponto de equilibrio.
    Percebo que meus gastos, na grande maioria, são motivados por altos e baixos emocionais e tenho notado também que nem sempre o que compro é por uma necessidade ou satisfação real minha, mas uma resposta às cobranças da sociedade. É duro admitir isso, mas quer saber: ter coragem de se conhecer é o primeiro passo pra virar a mesa, mesmo descobrindo coisas pouco lisongeiras sobre nós mesmos…

    Não costumo comentar, mas todo dia passo por aqui e preciso dizer que os textos que nos fazem refletir são os que mais estão me atraindo ultimamente, acho que é a idade: 35 rsrsrsrs

    Obrigada!

  17. Marcela Garcia

    Parabéns pelo texto! Se quiser saber como sair da poupança e fazer investimentos simples e rentáveis de verdade, recomendo com amor o canal “Me Poupe!”. Nath é ótima!

  18. Neiva

    Leio sempre o blog mas dessa vez tenho q comentar! Ano passado passei muito aperto! Já vinha de um saldo negativo e a bola de neve não parou de aumentar! Com o fim de ano e 13,° e bônus estou tentando colocar a casa em ordem. Está dando certo! Sofro pq sempre fui controlada e guardei dinheiro mas entre 2015 e 2016 isso foi impossível! Desemprego e depois emprego que sim mas com salário comprometido. Não é fácil
    Tem alguma amiga leitora que já entende das finanças além de poupança? Já estudei sobre o tesouro direto mas não arrisquei! O famoso medo e costume com a tradicional e fria poupança!
    Alguém tem alguma “resenha” de investimento para compartilhar? 🙂

  19. Paula

    Uma coisa que me ajuda muito é o app Guia Bolso, tenho controle sobre todos os meus gastos e nele consigo fazer um planejamento detalhado de quanto quero gastar no mês. O legal é que vc consegue ver um gráfico de quanto gasta em cada área, e é aí que a gente acorda e muda alguns comportamentos pra conseguir economizar 🙂

  20. cassia

    Penso que os EUA tem um grande apelo ao consumo sim. contudo no Brasil tudo é extremamente caro. Vou aos EUA anualmente e compro tudo que preciso. Não compro NADA aqui no Brasil. Tenho uma economia absurda. A passagem sai de graça. Exemplo óculos de grau – a diferença que paguei pagou quase o valor total da passagem. Contudo, tem que ser determinada e não comprar nada aqui!

  21. Eu confesso que me sinto muito bem quando compro coisas (tanto pra mim quanto pros outros)… e tenho me controlado pra não gastar o que não posso.. senão já viu neah!? kkkkk

  22. Julia

    Amei seu texto! E quando fui viver em Londres é que vi o quanto eles gastam pouco ou somente o necessário. Meu primeiro mês lá foi uma loucura! Comprei tudo que via pela frente. E aí todos os meus amigos me perguntavam se eu precisava de tanto creme, tanto perfume, tanta roupa.
    Depois disso eu mudei muito. Mudei mesmo. Não que eu fosse gastadeira, mas eu estava vivendo um sonho, que era morar lá. E me deslumbrei.
    Hoje eu consigo me segurar mesmo. E dou valor ao tempo livre. Meditar, caminhar, ficar quieta… coisas que realmente nos fazem bem. Ter tempo, sabe? Tempo para a a família, os amigos.
    Enfim, é isso.
    Beijão. Adoro vocês!

  23. Bianca Velez

    Continue com essa programação! Pleeeeease! rs

  24. Miriã Andrade

    Preciso repensar muita coisa a respeito do consumismo, ando meio descontrolada, adoro um shopping e fazer compras, mas a gente acaba querendo mais e mais. Adorei o texto e a reflexão, foi pra mim!

  25. Alba

    Bom dia, Thaís!
    Sempre tive uma relação de controle com meu dinheiro, primeiro, porque ei tinha metas ambiciosas (comprar um apartamento, mobiliá-lo e um carro), e em segundo lugar porque gosto mesmo de guardar dinheiro. Aos 28 anos eu e meu marido, da mesma idade, compramos e montamos o imóvel, e no ano seguinte eu comprei meu primeiro carro, tudo à vista. Para isso, eu juntei dinheiro sem gastar com nada por três anos seguidos!
    Eu ainda tenho a populança, porque preciso de dinheiro de acesso rápido para alguma e emergência, mas descobri com o gerente de minha conta uma aplicaçao em fundo de renda que paga muito bem e tem risco zero.
    Agora estou aprendendo sobre o tesouro direto. Se você quiser, depois posso enviar a informação. Meu marido, que é mais arrojado que eu, já investe e tem ótimo retorno.
    Para juntar dinheiro é preciso vontade e metas. As minhas iniciais eu já te contei. Atualmente, aos 42 anos, o que desejo é ter muita grana para aproveitar a vida depois de me aposentar.
    Desejo muita sorte para você!

  26. Beatriz

    Me identifiquei muito com o texto, tô numa fase (não me orgulho disso) muito gastadeira. Ando sem objetivo financeiro e acabo gastando muito com bobagens. Sei que sou capaz de poupar pois há dois anos resolvi queria morar em Sydney, criei um foco e não gastava com nada, todo meu dinheiro era pagar esse sonho e consegui realizá-lo, no dia da viagem não tinha NENHUMA dívida e ainda consegui levar uma boa grana pra me manter nos primeiros meses.
    Quando voltei fiquei um tempo sem trabalhar e agora tô num emprego bacana e estável, mas quem disse que tô conseguindo economizar? Sempre tem uma coisinha que acho que preciso e acabo comprando, pior que sei que estou errando, mas mesmo assim gasto. Tô louca pra voltar a morar sozinha, mas esse meu ralo de dinheiro não deixa!

  27. Não me considero muito consumista não, mas já tive algumas fases… quando comecei a comprar maquiagem queria levar tudo de uma vez e acabei comprando demais e coisa que quase não usei… Importante é a gente saber o que vale mais a pena (por exemplo, eu prefiro sair e gastar em bebida do que ter um carro, o transporte aqui é um lixo, mas nunca nem pensei de verdade em comprar carro rs) e aí gastar pq tbm não adianta economizar só por economizar, né…