Sim, começo esse post com uma das frases mais batidas do universo – mas ela não é a mais pura verdade? Aquela velha história do que é bonito pra uns, é feio pra outros. E isso passa por tantos filtros! Nossa família, círculo de amigos, a sociedade em que vivemos, a religião que escolhemos, os modelos que nos são impostos… Seria utopia dizer que dá para se desprender de tudo isso na hora de se olhar no espelho. Mas será que não dá pra gente começar a pegar um pouco mais leve consigo mesma?

Eu cresci bem rápido quando era adolescente e com uns 13 anos já tinha a altura de hoje (1,72 m). Na época, pesava 55 quilos e ficava morrendo de vergonha do peso quando precisava subir na balança para as aulas de educação física da escola. Se eu tivesse esse peso hoje em dia, talvez fosse considerada até magra demais. A sensação de estar gorda vinha do referencial completamente errado: minhas amigas adolescentes de 1,50 m, com seus 40 quilos. O comparativo era injusto. Mais injusto ainda quando colecionava fotos das formas perfeitas de mulheres adultas, com o corpo já formado – peito, cintura, bumbum, tudo bem diferente do que eu tinha na época. Eram referências irreais. E eu passei muito tempo me sentindo uma desajeitada grandalhona por causa disso.

Depois disso, fui crescendo e continuei – mesmo que de maneira mais leve – com aquele ideal de corpo. Comecei um namoro e, com ele, ganhei dez quilos. Quando terminei, estava acima do peso e me detestando na frente do espelho. Estava desanimada mesmo e isso se refletia em tudo: não gostava de tirar fotos, não tinha prazer em me vestir e ficava com medo até de me expor por aqui (quem acompanha o blog sabe dessa insegurança). Há pouco mais de um ano, eu resolvi me abrir pra vida de novo. Coloquei cor no meu guarda-roupa, cortei a sobremesa na hora do almoço, passei a encher o prato de salada. Não estava lá uma beleza na academia mas perdi vários quilos. E isso foi me motivando a continuar. Hoje, me sinto até outra pessoa e reconheço o quanto estava precisando de uma virada nas atitudes.

E não, isso não quer dizer que não tenha meus altos e baixos, aqueles dias em que bate a deprê e não se tem vontade de fazer nada. A questão é que isso é normal, não acontece só comigo. Mas não pode acontecer muito. Por isso, por mais desanimada que a gente esteja, precisamos também buscar aquela luz no fim do túnel. Seja um batom novo, um esmalte diferente, tentar um novo penteado… Não importa. O que vale – e cada dia eu confirmo mais – é buscar se sentir bem. Beleza não é algo fútil. Buscá-la também não. Quando a gente se sente bela, está em paz com nosso espírito e isso nos faz pessoas melhores. Acredito no poder de fazer girar essa energia.

O mundo está cheio de regras, dizendo a todo o momento o que a gente deve ou não deve fazer. Não dá para ignorar isso totalmente, como disse, mas eu acho que dá pra chegar num ponto pacífico com ele. Eu já não consigo mais aguentar essa padronização. Adoro moda e a consumo constantemente, mas acho que é preciso manter também algo pessoal nisso tudo. Aquela marquinha só nossa, que cada uma tem. Como diz outra dessas frases que circulam por aí, mais vale ser a melhor versão de si mesma do que uma versão de outras pessoas. Precisamos acreditar nisso sempre!

Se olhar no espelho e gostar do que se vê não é tarefa fácil, é um exercício diário e nem sempre prazeroso. Há sempre o que melhorar, claro, mas não é por isso que as coisas boas precisam ser deixadas de lado.

O vídeo criado por Dove que vocês veem aqui em cima exemplifica de forma linda tudo o que eu escrevi – de coração aberto – pra vocês. A gente pode decidir o desenho que faz de si mesma – e, para dar mais cor a ele, podem contar sempre conosco!

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